Novos olhares sobre Clarice Lispector

Encontro de pesquisa e extensão “Novos olhares” na Universidade regional Integrada promove palestras  sobre vida e obra de Clarice Lispector.

Dieison Marconi

Não há salas de cinema, exposições de arte, rodas de leitura ou teatro em Frederico Westphalen. Mas, apesar desse déficit cultural que a cidade sofre, a presença das universidades acaba por suprir boa parte destas necessidades através de encontros, projetos pesquisa e extensão calcados em difundir os mais variados elementos da cultura entre a população. Um exemplo disso é o curso de extensão e oficina de leitura “Novos Olhares” realizado pelo departamento do curso de letras da Universidade Regional Integrada –URI.

Do cânone brasileiro para Frederico Westphalen: Clarice Lispector é alvo de novos olhares (fonte: culture-se)

O “Novos Olhares” está em sua quarta edição e foi criado no ano de 2008 quando se comemorava o centenário de morte do escritor Machado De Assis, mestre do Realismo literário. Agora, em 2011, renomados especialistas na obra de Guimarães Rosa e Clarice Lispector compartilham sua paixão pela leitura e seus conhecimentos adquiridos em décadas de pesquisa sobre vida e obra desses autores. A Discussão e exposição sobre Guimarães Rosa ocorreu no mês de Agosto. Neste segundo momento, os amantes da literatura ainda podem conferir o trabalho de estudiosos da obra e vida da escritora “ucraniana e brasileira” Clarice Lispector até o mês de outubro.

Nos dias 21 e 22 de setembro, a professora e pesquisadora Nádia Batella Gotlib da Universidade de São Paulo (USP) palestrou para estudantes de ensino médio, universitários e mestrandos sobre seus livros: “Clarice: uma vida que se conta”, que está na  sexta edição e já foi traduzido para o espanhol na Argentina e “Clarice: fotobiografia”, lançado em 2008 e  traduzido para o espanhol, no México. Nádia começou a ler Clarice Lispector na adolescência e passou a ter a autora como fonte de pesquisa desde os anos 80. Desde então Nádia nunca mais abandonou Clarice, tornando-se, assim, referência nacional em se tratando de vida e obra da autora.

Para ela, o que há de mais mágico na obra literária e introspectiva de Clarice, é a maneira como ela consegue fazer o leitor perceber seu próprio mundo interior sem violentar a vontade de cada um, ou seja, seduzir o leitor falando diretamente pra sua intimidade, sem que o mesmo perceba. Das narrativas da escritora, Nádia tem preferência pelos livros A hora da Estrela e Paixão Segundo G.H; e dos contos, o mais intrigante na sua opinião, é Amor, no  qual uma dona de casa sai para fazer compras para o jantar e  de repente se vê no Jardim Botânico no Rio de Janeiro, e a partir  daí, que cada um diga o que “aconteceu”…

Clarice Lispector é considerada ainda, uma esfinge, um mito, dona de uma leitura hermética e inacessível. Na última entrevista de sua vida, pouco antes de morrer em 1977, ela disse que pra entender sua literatura, não era uma questão de inteligência, mas sim de sentir, “ou toca ou não toca”. Nádia ressalta que a literatura de Clarice não é difícil ou incompreensível, apesar de algumas obras serem intensamente introspectivas. O que não se pode fazer é tentar se defender de Clarice, e pra quem ainda pretender ler suas obras, pode começar pelos contos, diz a pesquisadora.

Leitores, estudantes e apaixonados por literatura acompanham “Novos Olhares” (fonte: assessoria de imprensa URI)

O Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria Alisson Machado, grande leitor das obras de Clarice Lispector esteve presente durante os dois dias em que Nádia esteve palestrando. Ele aponta que a pesquisa da mesma e principalmente as fotos mostradas durante a palestra (que estão presentes na fotobiografia), contribuem para desmistificar o mito Clarice Lispector como ‘hermética e inacessível’, aproximando o leitor da real Clarice. E quem ficou até o final do encontro do dia 21, pode conferir a palestrante  dizendo que o biógrafo norte americano Benjamim Moser, mentiu em seu livro  intitulado Clarice ao dizer que a mãe da escritora foi estuprada em uma invasão nazista na aldeia de Tchetchelnik, antes da família vir para o Brasil.

As palestras do “Novos Olhares” sobre Clarice Lispector continuam nos dias 20 e 21 de outubro com os pesquisadores Luciano Nascimento e Santo Gabriel Vaccaro da Universidade Federal  da Fronteira Sul.

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