Enem: falhas e credibilidade andam lado a lado

Apesar das falhas e erros que o Exame Nacional do ensino Médio apresentou nas últimas edições, a prova continua sendo valorizada como grande oportunidade de ingressar no ensino superior

Dieison Marconi

Todo ano ENEM é posto a prova (fonte:ENEM)

Com a proximidade da data de realização do Exame Nacional do Ensino médio (Enem) não aumenta apenas a preocupação e o nervosismo dos estudantes que vêem nas provas, uma forma de ingressar no ensino superior, seja em universidades públicas ou privadas, conquistando uma boa nota para pleitear uma vaga no Programa  Universidade para Todos (ProUni) ou no Sistema de Seleção Unificada(SISU).

Aumenta também, a expectativa de mentores, realizadores, escolas e todas as partes envolvidas, de que novos erros que possam prejudicar a credibilidade do exame, não aconteçam. O primeiro, de muitos erros que aconteceriam posteriormente, ocorreu no dia primeiro de outubro de 2009 quando a prova foi furtada de dentro da empresa que era  responsável pela impressão do material. Após o roubo, a prova tentou ser vendida  ao jornal Folha de S. Paulo. Com o ocorrido, a avaliação foi adiada para dois meses mais tarde. No ano de 2009, o Enem teve o maior índice de abstenção da história do exame: 37, 7% dos inscritos.  Após a realização da nova versão da prova, o gabarito foi divulgado com erros.

Já em 2010, informações sigilosas e pessoais (como RG e CPF e nome dos pais) dos  estudantes que realizaram a prova do Enem nos anos de 2007, 2008 e 2009 vazaram na internet no dia quatro de setembro, ficando disponíveis para qualquer um que acessasse o site mantido pelo ministério da educação (MEC). Ainda em 2010, um erro no cabeçalho em alguns dos cartões resposta de todos os modelos das provas surpreendeu os estudantes. Na época, houve divergência entre os estudantes que realizaram a prova: alguns diziam que os monitores haviam avisado do erro de impressão, outros diziam que não. Com isso, o Exame teve de ser reaplicado  com uma nova prova para aqueles  que saíram prejudicados.  A acadêmica Isadora Paula Stenzler que alcançou uma vaga remanescente  no curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria-UFSM/campus de Frederico Westphalen e que passou por  todos os problemas que a prova teve em 2010, diz que é inegável a importância do exame  quando ingresso no ensino superior, mas ao mesmo tempo, lamenta de uma certa defasagem não somente pelo número erros, mas principalmente por erros que poderiam ser evitados com mais cautela e segurança. Com tantos erros, Universidades como a UFSM  se recusaram a usar a nota do Enem como processo seletivo no ano de 2010 (exceto para as vagas remanescentes).

Apesar da coleção de falhas, o Enem não deixa de ser uma grande oportunidade de ingresso no ensino superior gratuito e de qualidade.

Para notar a dimensão de importância que o Enem possui atualmente, basta voltar a 13 anos atrás, em 1998, primeiro ano de realização da prova. Neste ano, havia apenas 65 mil inscritos, com apenas 63 questões. Agora em 2011o exame possui 180 questões,  com 5, 3 milhões  de inscritos  segundo o Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa Educacionais  Anísio Teixeira, o INEP.

Além disso, algumas universidades públicas e privadas passaram a utilizar o exame se não como único processo de seleção, como composição de 50% da média a ser alcançada pelos vestibulandos. Exemplo dessas oportunidades, é o estudante do ensino médio Lucas Buchmayer da escola  Estadual de Educação Básica 14 de Maio, que vê no  Enem sua grande chance de  ingressar no ensino superior, mesmo que não consiga uma bolsa integral, e sim de 50%. Lucas pretende cursar letras e torce para que novas falhas não aconteçam e que não prejudiquem o desempenho dos alunos. E assim, ao compasso das falhas, a valorização do Enem não somente como avaliador da qualidade de ensino, mas como oportunidade de entrada ao ensino superior, passou a crescer.

Outra polêmica que gira em torno  do exame, é justamente a comparação feita das  médias  que as escolas recebem a partir da pontuação de seus  alunos.

Apesar de apenas 13 escolas públicas estarem entre as 100 melhores nos resultados do Enem (o restante são privadas) o ministro da educação  Fernando Haddad, em entrevista  cedida à Rádio Bandeirantes no último dia 12 de Setembro, explicou que o desempenho dos alunos  da rede pública e dos alunos da rede  privada  não podem, e não devem ser comparados: “ Compare a escola com ela mesma ou com escolas com o mesmo perfil. Há escolas com diferenças grandes de investimento e com público estudantil bem diferente”, disse o ministro. E acrescentou: “o ensino nas escolas da rede pública não poder  ter piorado, pois 88% da matrícula é do ensino médio público e a  média nas provas do Enem  passou  de 501,58 pontos para 511,21 pontos em 2010.

ENEM: Um ensaio para a vida (fonte: ENEM)

Neste ano, o Enem será realizado nos dias 22 e 23 de outubro sob uma expectativa  de que nada saia errado. Os cartões de confirmação de inscrição já estão chegando via correio. Em Frederico Westphalen as provas serão realizadas na Universidade Regional Integrada -URI , agrupando assim , todas as escolas da região do Médio Alto Uruguai.

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