De ranking em ranking: a educação no Rio Grande do Sul e no Brasil possui duas caras

65 Universidades brasileiras estão entre as 100 melhores da América Latina, cinco delas são gaúchas, mas uma educação de qualidade no país ainda está engatinhando

Dieison Marconi

Se por um lado questões como o aumento para 10% do Produto Interno Bruto (PIB) destinado a educação continuam sendo debatidas, por outro lado, conquistas educacionais vão ao encontro de novas medidas traçadas no Plano Nacional de Educação (PNE) para melhorar a qualidade da educação no país.

A UFRGS lidera na colocação das universidades gaúchas que figuram no ranking (fonte: UFRGS)

Uma dessas conquistas é mais um motivo para os gaúchos se orgulharem e aumentarem em boas doses seu já conhecido bairrismo. O ranking da instituição de pesquisa educacional britânica QS World University Rankings 2011 classificou cinco universidades localizadas no Rio Grande do Sul entre as 100 melhores da América Latina. A partir de critérios como reputação acadêmica, a produção e publicação de pesquisas e o grau de conceitualização dos professores, a Universidade Federal do Rio grande do Sul (UFRGS), a Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) figuram entre as 65 instituições brasileiras  de ensino superior que  entraram para o Ranking.

A classificação no ranking é liderada pela Universidade de São Paulo (USP) seguido da Universidade Católica do Chile e da Universidade de Campinas (Unicamp). A gaúcha UFRGS ocupa o 14º lugar com um escore de 72,5. Na 28º colocação está a PUCRS com 61,1, sendo assim, a única universidade privada do estado a figurar na lista. A UFSM ocupa a 69º posição, a UFPel na 81º e a FURG está na 98ª posição.

Danny Birne, diretor da página TopUniversities.com avaliou que enquanto países desenvolvidos cortam gastos em universidades, países como o Brasil estão investindo consideráveis quantias na construção e qualificação de universidades, ou seja, países que consideram a educação como chave para o desenvolvimento.

Mas o cenário no estado e no país quanto a educação ainda é dicotômico

Se o Rio Grande do Sul por um lado consegue alcançar um alto patamar de qualidade na educação superior, em contrapartida, há problemas com a educação infantil e média que devem ser revistos e resolvidos para que o estado possa realmente voltar a ser referência em educação no país. Problemas como desvalorização salarial e social dos profissionais da educação, salas de aula com superlotação de alunos e reestruturação dos currículos são alguns das situações que o estado enfrenta.

No dia último dia 28 de setembro de 2011, no seminário que debateu o novo PNE, a secretária adjunta de educação Maria Eulália Nascimento, disse que o Rio Grande do Sul deixou de investir 4 bilhões de reais na educação nos últimos quatro anos e estaria entre os estados que não aplicaram no setor o mínimo exigido pela constituição. O governador Tarso Genro, preocupado com a incômoda colocação do Estado na “rabeira do ensino nacional”, segundo suas próprias palavras publicadas no Jornal Zero Hora, edição de 22/07/2011, afirma que “quer reunir a sociedade, intelectuais e autoridades para discutir e acredita que para melhorar é necessário avaliar os professores e também oferecer-lhes capacitação”.

Já quem sente na pele as dificuldades diárias de ser professor, pensa um pouco diferente do governo: “a preocupação com a capacitação dos professores é importante para uma escola de qualidade, pois no último governo houve entraves na formação continuada dos professores, mas muitas escolas não possuem recursos técnicos, têm limitações na estrutura física, e a nova geração de alunos que vive conectada nas novas tecnologias de comunicação, acaba por deixar de lado a escola”, diz Evaldo Frizon, professor e vice-diretor da Escola Estadual de Educação Básica Sepé Tiaraju.

Mas não é apenas o Rio Grande do Sul que vive uma realidade dicotômica na educação. Na verdade, um país como o Brasil que possui 65 universidades entre as melhores da América Latina e que vivenciou, nos últimos mandatos, a expansão das universidades, as vezes sem preocupar-se  com a qualidade dessa expansão, simplesmente tornou o último PNE do ano de 2001 inexistente. Boa parte das medidas sugeridas pelo plano não saíram do papel, como o veto de 7% do PIB destinado a educação. Agora o PNE 2011 coloca entre os objetivos a serem alcançados até 2020, o investimento de 10% do PIB na educação. E a Organizações das Nações Unidas no ano de 2010 colocou o Brasil em seu ranking UDH-Educação na 93º posição. Neste mesmo ano, o Relatório de Monitoramento de Educação para Todos, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), aponta que a qualidade da educação no Brasil é baixa, principalmente no ensino básico. O relatório mostra que o índice de repetência no ensino fundamental brasileiro (18,7%) é o mais elevado na América Latina e fica acima da média mundial (2,9%). Cerca de 13,8% dos brasileiros largam os estudos já no primeiro ano no ensino básico. Neste ponto, o País só fica à frente da Nicarágua (26,2%) na América Latina e bem acima da média mundial: (2,2%).

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