Dupla jornada interfere de maneira negativa na vida acadêmica de estudantes

Pesquisa revela que universitários que estudam e trabalham apresentam problemas de sonolência e desatenção durante o dia

Josafá Lucas Rohde

Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) revela que a dupla jornada, profissional e acadêmica, interfere de maneira negativa no tempo que estudantes universitários dedicam às aulas.

Os resultados são fruto da tese de doutorado da bióloga Roberta Nagai Manelli, intitulada “O trabalho de jovens universitários e repercussões no sono e na sonolência: trabalhar e estudar afeta diferentemente homens e mulheres?”. Para obtenção dos resultados, alunos dos cursos noturno da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) foram monitorados por 7 dias consecutivos. Eles utilizaram um equipamento chamado actímetro, que funciona como um acumulador de dados capaz de detectar os momentos de repouso e vigília ao longo das 24 horas do dia.

João trabalha sete horas por dia e estuda mais de oito, como resultado tem sonolência durante o dia (Fonte: Josafá Lucas Rohde)

O estudante de enfermagem da Universidade Regional Integrada, URI, campus de Frederico Westphalen, João Paulo Stecker, tem uma realidade parecida com a apontada no estudo. O acadêmico acorda às 7h e começa estudar às 8h, até as 17h, com intervalo ao meio dia. As 18h Stecker dá início a sua segunda jornada, agora de trabalho, em uma academia. “A rotina é cansativa e desgastante, chego em casa alguns dias pela meia-noite, estudo mais umas duas horas e acabo dormindo 5 à 6 hora por noite”, relata o estudante.

A pesquisa de Roberta Nagai, aponta que entre os problemas que a redução de sono resulta, está o alto nível de sonolência durante o dia e o aumento no tempo de reação, que pode estar relacionado a acidentes de trabalho, por exemplo. Essa rotina desgastante, em longo prazo, pode resultar em problemas graves, como desenvolvimento de um distúrbio do sono e episódios de micro-sonos involuntários durante o dia, em que a pessoa dorme sem perceber enquanto está realizando alguma atividade.

A estudante de Educação Física da URI, Isabel Piovesan, trabalha durante o dia e estuda à noite. Isabel fiz que fica “cansada durante o dia todo, pois além das aulas teóricas tenho práticas de noite”, ela relata que costuma dormir de “4 à 5 horas por noite, mas já estou acostumada”.

Mesmo com as dificuldades encontradas por quem trabalha e estuda, muitas vezes o esforço se faz necessário, João Stecker afirmar que precisa trabalhar, pois o dinheiro enviado pelos pais não é o suficiente para pagar mensalidade, aluguel e demais gastos, sendo assim, “trabalhar não é opção, é necessidade”.

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