O “grande mal” do vestibular

Em reunião, o Ministro da Educação Fernando Haddad afirmou que o vestibular é um grande mal que se fez a educação brasileira.

Dieison Marconi

Para Haddad, extinguir o vestibular é uma das medidas viáveis para reformular o ensino médio (fonte: Antônio Cruz-Agência Brasil)

No último dia 10 de Outubro, no seminário sobre os desafios da educação no país, promovido pela Escola Brasileira de Administração e de Empresas, Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro, o Ministro da Educação Fernando Haddad voltou a defender a total substituição do vestibular pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Segundo Haddad, “é preciso acabar com o vestibular, que é um grande mal que se fez à educação brasileira, porque você não organiza o ensino médio com cada instituição fazendo um programa de vestibular diferente. O Exame Nacional do Ensino Médio é o que há de mais moderno no mundo e tem problemas em diversos países, mas temos que aprender a enfrentar esse negócio”, disse.

A medida de extinguir o vestibular está entre as propostas de reformulação do ensino médio. Outra proposta do ministro, é aumentar a carga horária das aulas, tornando integral o período que o estudantes ficam nas escolas, propiciando aos mesmos, além do conteúdo tradicional, conteúdos profissionalizantes, de cultura e inclusão digital. Porém, tal medida de extinção do vestibular e sua substituição pelo Enem, não foi totalmente recebida de bom grado por aqueles que serão diretamente afetados por essa possível mudança. Estudantes, escolas e Universidades divergem quanto a eficácia dessa substituição. Dentre as diferentes opiniões destaca-se o histórico de erros que o exame apresenta, o que leva as universidades recusarem a aceitar tal exame, por outro lado se vislumbra uma maior democratização de acesso aos bancos universitários e de mobilidade acadêmica e a isenção de custo para participação de um processo seletivo unificado, mas ainda devem ser consideradas as diferenças nos conteúdos exigidos nos diferentes processos e também a diferença estrutural de ambas as provas.

Haddad também lembrou que apesar de acreditar na substituição do vestibular pelo Enem como uma das medidas para reformular o ensino médio no país, a mesma não pode ser uma medida arbitrária, já que não se pode obrigar as universidades a deixarem de lado seus processos seletivos tradicionais para aderir ao exame. Exemplo disso, é a Universidades de São Paulo (USP) que se recusa a usar as médias do Enem alegando que o exame ainda não tem maturidade para substituir processos seletivos tradicionais.

São poucas as universidades que aderiram ao Enem como  única forma de ingresso

Apenas 16 universidades federais irão usar o Enem 2011 como única forma de seleção. A única universidade gaúcha que aparece nesta lista é Universidade Federal de Santa Maria, mas com a ressalva de que a nota do Enem será usada apenas para as vagas remanescentes, e não em substituição do vestibular ou mesmo para compor a nota do exame. 75 Universidades Federais vão usar as médias do Enem apenas para o Sistema de Seleção Unificada (SISU). Entre elas está a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Universidade Federal de Ciências de Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e a Universidade Federal do Pampa (Unipampa). E 17 universidades vão usar o Enem para compor a nota dos vestibulandos, ou seja, o sistema de entrada inclui o Enem como parte obrigatória da nota de ingresso, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aderiu a essa modalidade. E oito universidades aderiram ao Enem como substituição da primeira fase do vestibular, nenhuma delas sendo gaúcha. Confira todas as listas completas no site da revista Guia do Estudante http://guiadoestudante.abril.com.br, na página Vestibular e Enem.

A opinião de alunos, os  maiores interessados,  ainda é difusa

Quando o Jornal O Estado de S. Paulo postou em seu perfil do Facebook http://www.facebook.com/estadao o link da matéria que tratava dessa possível substituição dos vestibulares pelo Enem, a página ganhou visibilidade considerável  entre os usuários, obtendo mais de duzentos comentários e compartilhamentos. Os comentários giravam em torno de posições contra e a favor da medida, assim como críticas a educação brasileira e ao Ministério da Educação.

Se a medida de substituição de vestibular pelo Enem for levada a frente, a estudante Manoela Magalhães, 19, que irá realizar o exame pela segunda vez, acredita que as chances dos estudantes conseguirem ingressar no ensino público superior pode aumentar, já que cada candidato poderia tentar uma vaga em qualquer universidade pública do país por meio de uma única prova: “Além disso, os candidatos iriam se dedicar mais a uma única forma de seleção, o que os tornaria mais preparados. E muitas vezes o desinteresse dos jovens pelo vestibular,é exatamente esse,temos de fazer várias provas para entrar na universidade.” Completa a estudante.

Já a estudante Marcia Dal Forno, 19, alega que extinguir o vestibular para contribuir na reformulação do ensino médio não seria uma medida viável. “Acho que os problemas da educação são mais fundos e pede mais que uma uniformização ou a extinção de um vestibular. Mas por outro lado, acho que o Enem como único processo seletivo, facilitaria os estudantes no caso de tentar conseguir uma vaga na universidade, apesar de todos os erros que já foram cometidos”, diz ela.

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