O fim das fronteiras, dos cadernos de viagem e dos ensaios de geopoética

A 8 Bienal do Mercosul encerrou-se no último dia 15 de novembro consolidada com  um dos eventos de artes visuais mais importantes  do país

Dieison Marconi

A 8° Bienal do Mercosul expandiu territórios e conquistou fronteiras na capital gaúcha (fonte: Cristiano Sant'Ana/indicefoto.com)

Tensões entre territórios locais e transnacionais, fronteiras políticas, geográficas, simbólicas e culturais. Foi com esses temas de intercâmbios que a 8º Bienal do Mercosul- Ensaios de Geopoética se apresentou durante 66 dias no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Além Fronteiras), nos galpões do Cais do Porto (Geopoéticas e Cadernos de  Viagem) e no Santander Cultural (homenageando o artista Eugênio DittBorn)  em Porto  Alegre. Ensaios de Geopoética se refere a forma como os 105 artistas oriundos de 31 países diferentes, expuseram uma discussão de mapeamento, colonização, fronteiras culturais e geográficas, aduana, alianças transnacionais, construções geopolíticas, arte, etnia, localidades, viajantes científicos, paisagens, história, nação e política.

Encerrada no último dia 15 de Novembro e se integrando à programação da Feira do livro de Porto Alegre, a Bienal recebeu mais de 600 mil visitantes de todo o estado e do país, que puderam prestigiar cerca de 186 obras de arte de forma gratuita. As visitas foram mescladas pela população apreciadora das artes visuais de Porto Alegre e região metropolitana, do interior do estado, de todo o país e de estrangeiros como argentinos, uruguaios, europeus e norte americanos, continuando assim, a consolidar a Bienal do Mercosul como o evento de artes visuais mais importante na vida dos gaúchos e um dos mais importantes do cenário da arte nacional e internacional.

Além fronteiras

A obra de Gean se encontra no limítrofe entre homem e sociedade (fonte: Camila Cunha/indicefoto.com)

No Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) as fronteiras culturais, políticas e geográficas tornavam-se fronteiras palpáveis, visíveis e ao mesmo tempo imaginárias através da exposição Além Fronteiras. Sobre a exposição, Aracy Amaral, a curadora convidada, indagou: “Não seriam os limites político-geográficos senão artifícios criados pelo homem para reafirmar um idioma, plantar uma bandeira, desenhar um escudo, compor um hino, estabelecer uma forma de governo e exigir documentação para se cruzar uma fronteira por ele mesmo demarcada?” Essas perguntas puderam ser discutidas e respondidas com as obras de arte como a do Israelense Ramat Gean, através da qual brincava com as fronteiras do que se é e do que se vê por meio de uma registro de satélite, panorâmica, da região de Ijuí, Rio Grande do Sul, obtida através de Google Earth por Weinstein, que possibilitou a transposição dessa imagem em forma de carpete com materiais industrializados para a área central do espaço térreo do Margs.

A polêmica obra de Jestepo despertou as reações mais variadas no público (fonte: Geopoéticas-exorcismo 2006-video instalacao. santo de gesso e video. 1x80cm)

Já a obra do colombiano José Alejandro Jastepo, constituída de vídeos e imagens procedentes das Antigas Missões, também chamava atenção: jogava a sombra e a imponência de imagens religiosas sobre a violenta conversão cultural dos indígenas por meio da propagação da fé. Outras artistas que expuseram no Margs foram: Lucia Koch, Carlos Vergara, Marina Camargo e Carlos Pasquetti, o documentarista Cao Guimarães, Felipe Cohen, Irene Kopelman e Gal Weinstein. Mais informações: http://www.bienalmercosul.art.br/componentes/9

 Ensaios de Geopoética

Os ensaios de Geopoética que se estenderam pelos pavilhões do Cais do Porto, reuniram inúmeras formas de medir e representar o mundo, unindo artistas que fizeram uso da cartografia para explorar temas sociais, rotas de derivas, mapas afetivos, bandeiras, escudos, hinos, história, trazendo diversas representações do mundo que contradizem as cartografias convencionais e brincando com noções de nacionalidade.

Em Robespierre e a tentativa de retomar a revolução, Guilherme Peters interpreta um dos mais radicais e respeitados revolucionários franceses (fonte: Iason Pachos)

Uma obra que chamava atenção logo na entrada de um dos pavilhões era Robespierre e a tentativa de retomar a revolução. Nela, o artista brasileiro  Guilherme Peters, de forma bem humorada colocou a impossibilidade e a utopia revolucionária de prosperar num mundo em que tarefas simples e repetitivas provocam vertigem. Conheça outros artistas que expuseram nos Ensaios de Geopoéticas aqui:  http://www.bienalmercosul.art.br/componentes/6 . Cadernos de Viagem foi outra exposição que ganhou espaço na Bienal:  http://www.bienalmercosul.art.br/componentes/2

 Eugênio DittBorn

Nas palavras do Curador José Roca, “uma das mostras centrais da 8ª Bienal do Mercosul é a exposição do chileno Eugenio Dittborn (Santiago do Chile, 1943), por ser um  artista de referência na América Latina e ter uma obra  baseada na transterritorialidade, no nomadismo e nas estratégias para subverter as fronteiras e penetrar os centros sem se deixar neutralizar por eles”. As obras de DittBorn  ficaram expostas no Santander Cultural explorando estratégias de pinturas aeropostais e iconografia. Conheça mais o autor e sua arte aqui:  http://www.bienalmercosul.art.br/componentes/7

Para que as exposições da 8º Bienal do Mercosul ganhassem toda a visibilidade que tiveram, somente as obras dos artistas não seriam suficiente. Por trás de toda as exposições, curadores, produção, montagem, mediação, supervisão, manutenção, limpeza e segurança também foram trabalhos essenciais para que o evento rendesse bons frutos de apreciação. Zíngaro Martins, estudante de história e mediador passou 66 dias guiando visitantes, apresentando obras e artistas: “Nós passamos por um curso de mediação, de estudos das obras dos artistas, de como lidar com o público.” Segundo informações da assessoria de imprensa, antes dos 66 dias de exposição a Bienal completou 120 dias de atividades integrando cerca de 1385 profissionais, dos quais 561 são empregos diretos, 767 indiretos e 57 voluntários. Os investimentos totalizaram R$ 12.756.353,42 disponibilizados por 31 patrocinadores e apoiadores.

E Para quem não visitou a Bienal do Mercosul durante mais de um mês de exposição, tem uma ultima chance: a Casa M, localizada a poucas quadras do cais do Porto e que cria exposição de arte mais interativa com sessões de vídeo, pocket shows, contação de histórias, oficinas e conversas sobre artes visuais, cinema, música, dança, teatro e literatura, pode ser visitada até o dia 17 de Dezembro.

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