Mas afinal, pra que serve um Relações Públicas?

Comentários a respeito de que o profissional de Relações Públicas não tem utilidade alguma são fruto de desinformação que só alimenta fogueiras de vaidade

Dieison Marconi

O que pensam e dizem os desinformados sobre o profissional de relações públicas: “servem cafezinho e organizam mural.” O que os desinformados deveriam ler antes de lançar qualquer pré-conceito sobre uma profissão que age nos bastidores da comunicação social:

Resolução normativa n° 43 de 22 de Agosto de 2002-Artigo.1.°

§ 1.º – Todas as ações de uma organização de qualquer natureza no sentido de estabelecer e manter, pela comunicação, a compreensão mútua com seus públicos são consideradas de Relações Públicas e, portanto, não se subordinam a nenhuma outra área ou segmento.

§ 2.º- Relações Públicas são definidas como uma filosofia administrativa organizacional, com funções administrativas de direção e de comunicação, independentemente de nomenclaturas de cargos e funções que venham a ser adotadas.

§ 3.º- Relações Públicas caracterizam-se pela aplicação de conceitos e técnicas de:

I)comunicação estratégica, com o objetivo de atingir de forma planificada os objetivos globais e os macro-objetivos para a organização;

II)comunicação dirigida, com o objetivo de utilizar instrumentos para atingir públicos segmentados por interesses comuns;

III)comunicação integrada, com o objetivo de garantir a unidade no processo de comunicação com a concorrência dos variados setores de uma organização

Continue lendo: http://rederp.blogspot.com/2006/02/o-que-faz-um-relaes-pblicas.html

Servir cafezinho não lista no trabalho de RP

Em resumo, um Relações Públicas se encarrega de planejamentos e estratégias de comunicação organizacional, assessorias de comunicação, organização de eventos e protocolos, pesquisa de opinião pública, mediação de relacionamento entre  público e empresas privadas ou governamentais e assessorias de imprensa. Mas apesar de um vasto campo de atuação dentro da comunicação, ao contrário de seus colegas Jornalistas e Publicitários, os Relações públicas parecem ter uma profissão desconhecida frente a sociedade e as empresas que muitas vezes os empregam. Assim, não deixa de ser importante o questionamento: de onde vem essa invisibilidade e o desconhecimento do que faz um Relações Públicas? Para Lana Campanella, coordenadora da Agencia de Comunicação Integrada de Relações Públicas (Acirp) e professora doutora no curso Relações Públicas Ênfase em Multimídia na Universidade Federal de Santa Maria, Campi de Frederico Westphalen, o desconhecimento a respeito do campo de atuação de um RP não é atual: “ a profissão foi regulamentada em 67, época de Ditadura Militar, então já tem esse “ranço” a começar por isso: disseram que nos legitimaram em função  de obedecer as ordens  governamentais. E também existe uma área de Relações Públicas que é forte, que é a organização de eventos, e não é fácil organizar eventos. Como nós trabalhamos bastante nisso, nós fomos maculados como “servir  cafezinho  e trabalhar na portaria”.

“Somos nós que fizemos as pesquisas de opinião de pública que vocês vêm por aí, inclusive as de pleito eleitorais”

Estudantes de Relações Públicas organizando evento e atividades lúdicas junto ao Promenor (fonte: Keli Radman)

Tais brincadeiras alimentam fogueiras de vaidades e surgem desse desconhecimento do que faz um RP, também originam discursos de que tais profissionais não possuem utilidade alguma, pensamento comum entre cursos de outras áreas. Por isso, a professora ainda coloca: “somos nós que fizemos as pesquisas de opinião de pública que vocês vêm por aí, inclusive as de pleito eleitorais. Acontece que a profissão de RP é uma atividade de bastidores, o que muitas vezes desmotiva acadêmicos do curso. Enquanto estudantes de Jornalismo e Publicidade já no terceiro semestre criam produtos mais visíveis, um RP está planejando uma estratégia de comunicação, e pode justamente ser essa estratégia que comanda trabalhos de jornalistas e publicitários, ou seja, a comunicação integrada.” A estudante de relações públicas, Vanessa Ayala diz não se importar mais  com as cotidianas brincadeiras referentes ao que faz um RP:  antes eu ficava indignada, mas hoje percebi que tenho que mostrar qual é o meu trabalho, mostrar o que  eu faço”

“As pessoas não entendem, elas não vêem o que é comunicação, que é muito mais do que ler jornal ou conversar. Comunicação vai muito além disso tudo”

Já André Quiroga, também professor doutor do curso de Relações Públicas, quanto ao desconhecimento do que faz um RP, vai além: “Em geral, acho que falta um conhecimento por parte da sociedade do que é comunicação, uma habilitação complicada por natureza, e muitos desconhecem a importância do profissional de comunicação, e especificamente de Relações Públicas dentro das organizações. Se eu sou um Engenheiro, vou produzir um prédio: é um trabalho mais visível, mais palpável. Comunicação é subjetividade: eu faço produções de diversos gêneros textuais pra informar, eu vou fazer um planejamento de comunicação, eu vou fazer uma pesquisa de opinião que só daqui a um ano vai mostrar resultado, por isso  as pessoas não entendem, elas não vêem o que é comunicação, que é  muito mais do que ler jornal ou conversar. Comunicação vai muito além disso tudo.”

Indo ao encontro do que diz o professor, Lana complementa: “Quem faz comunicação incomoda, principalmente nos pequenos centros, por conta de nossas ações, pois quais são os princípios da comunicação? Nós temos que primar pela veracidade dos fatos, sejam quais forem os fatos, e temos que noticiar e publicizar esses fatos, e a pesquisa em comunicação, muitas vezes revela dados, desvela conjunturas que outras pessoas não querem que sejam expostas.”

E para quem estiver interessado em se interar mais sobre a área de atuação de Relações Públicas ou para quem desejar ingressar na profissão, no dia dois de Dezembro, dia nacional da profissão de Relações Públicas, será realizada uma palestra com a Tenente da Aeronáutica e Relações Públicas da instituição Daiane Holanda no auditório do Colégio Agrícola de Frederico Westphalen. Um bom exemplo que RP tem espaço profissional inclusive nas forças armadas. A palestra está sendo organizada pela Acirp e vale horas em ACG para estudantes da UFSM.

3 responses to “Mas afinal, pra que serve um Relações Públicas?

  1. Muito bom gente! Gostei..

  2. Muito bom ler isso, ainda mais vindo de um acadêmico de Jornalismo.

  3. Utopia desejar que nossos colegas de área ou de outras profissões sejam uníssonos em conhecer em profundidade o que faz um RP antes de mimetizar clichês antigos. Contudo, é muito agradável perceber que já existem, e muitos, alunos de áreas correlatas à comunicação, em especial, do Curso de Jornalismo, que se preocupam com a veracidade e aética nas informações. Estão todos de PARABÉNS, em especial, o querido Dieison bela bela homenagem que nos presta, próximo aos festejos do Dia Nacional do RP. Valeu!

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