Na onda da literatura

Verão, sol, calor, praia e por que não um bom livro? Na ‘maior praia do mundo’ quando o mar não está para peixe, a Feira do Livro da FURG é opção

Camila Souza

Feira dos Açores, Porto dos Livros (fonte: Camila Souza)

Ao sul do sul, o Cassino, balneário da cidade de Rio Grande, foi palco da 39° Feira do Livro da FURG. Entre 26 de janeiro e 5 de fevereiro a praça Didio Duhá foi tomada por livreiros e leitores. Para este ano a Feira apresentou o tema “Porto da Cultura Açoriana” e teve como patrono o escritor sul-riograndense Luiz Antonio de Assis Brasil. Traduzindo a Feira em números, foram 42 bancas de livros, 56 autografantes, 14 apresentações artísticas no palco principal, 7 sessões literárias e incontáveis apresentações artísticas e culturais na Rua das Crianças.

Em Rio Grande, a cidade dos superlativos, os cidadãos se orgulham em ostentar a maior praia do mundo, o time de futebol em atuação mais antigo do país, o segundo maior porto nacional, a cidade mais antiga do estado e a maior feira literária do interior gaúcho. Os títulos rio-grandinos são frequentemente contestados, mas não deixam de expressar o carinho dos conterrâneos por sua terra natal e o valor por eles atribuído às pratas da casa. Expressão disso é a forma como os papa-areia (apelido dado aos rio-grandinos) participam da tradicional Feira do Livro da FURG. Neste ano estima-se que mais de 100 mil pessoas percorreram os corredores do evento.

FURG apresenta: 39° Feira do Livro (fonte: Camila Souza)

A Feira do Livro da FURG, como já indica o nome, é um evento organizado pela Universidade Federal do Rio Grande, instituição pública de ensino superior instalada a mais de 40 anos no município. Logo já se nota a peculiaridade desta Feira, uma vez que eventos desta natureza são normalmente organizados pelas prefeituras municipais. Em Rio Grande, é diferente… Desde 1979 a FURG oferece como atividade de extensão universitária a Feira do Livro. As primeiras edições ocorriam semestralmente revezando-se entre a região central da cidade, durante o inverno, e o balneário, nos verões. Mas não tardou os organizadores perceberem o sucesso que a Feira tinha quando realizada no Cassino em comparação as frias edições de inverno. As condições climáticas da cidade litorânea não favoreciam a realização do evento na estação mais fria do ano, como ilustra um dos primeiros responsáveis pela Feira, professor Péricles Gonçalves “houve um ano que não fez um dia de sol durante todo inverno”.

Porto da Cultura Açoriana

Estandartes confeccionados por descendentes de açorianos estampam a influência (fonte: Camila Souza)

Rio Grande foi porta de entrada para os casais açorianos que partiram da península ibérica rumo ao novo continente Americano. E muitos desses casais não só chegaram por Rio Grande, como por lá ficaram. A herança açoriana é observada pelas ruas e rostos da cidade, fundida com as diferentes culturas que povoaram Rio Grande de São Pedro. Em virtude disso, nesta edição a Feira se uniu às comemorações dos 260 anos do povoamento açoriano no sul do Brasil, adotando o Porto da Cultura Açoriano como tema. Dessa forma, todas as atividades se relacionavam entre si e com o mote açoriano, desde as apresentações artísticas às sessões literárias. A presidente em exercício da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, Célia Jachemet, esteve na Feira e contou que recebeu a homenagem com muito entusiasmo.

Rua das Crianças

Espaço destinado aos pequenos grandes leitores (fonte: Camila Souza)

Espaços alternativos de diversão e educação para as crianças (fonte: Camila Souza)

Quem circulou pelas bancas e espaços da praça pôde perceber que esta foi a Feira das crianças. Nos carrinhos de bebês, nos colos dos pais, de mãos dadas ou correndo, elas estavam por todos os lados. E, não para menos, havia uma rua dedicada a elas. Na Rua das Crianças os pequenos encontravam várias atividades educativas e culturais, como a Escolinha de Trânsito, a Oficina de Nós e Voltas, o espaço Neuroeduca, Teatro de fantoches e várias mesas de jogos, além dos personagens mágicos que circulavam por todos os cantos, como palhaços, o ogro Shrek e o Chapeleiro Maluco. Sem esquecer as bancas lotadas de livros infantis de todas as cores e formatos. Para  os organizadores do evento investir nas atividades para as crianças é uma forma de apostar no futuro do evento, como disse o Diretor de Extensão, André Lemes da Silva “este é o nosso futuro público e queremos contar com eles desde agora”.

A Feira, as Pessoas, os Livros

Sessões intimistas para debates literários com o público (fonte: SECOM)

Além do olhar voltado aos pequenos, esta edição da Feira procurou resgatar sua primeira vocação e compromisso com a leitura através de Sessões Literárias, que funcionaram “antes dos espetáculos, além da sessão de autógrafos, diversos convidados falaram sobre sua produção literária”, como contou a Pró-Reitora de Extensão e Cultura Rita Patta Rache.

Coral do CECUNE desceu do palco para cantar junto do público (fonte: Camila Souza)

Independente de qual palco em que se apresentavam, o evento fez questão de valorizar os escritores e artistas da região, as apresentações culturais do Palco Principal divulgaram o repertório da Instituição: Quarteto Instrumental, Big Band, Coral e FURG em dança. Além de atrações consagradas que garantiram casa cheia como: Yamandú Costa, Jô Nunes, Orquestra Rossini e o Coral do Centro Ecumênico de Cultura Negra (CECUNE).

Recado anotado é recado dado (fonte: Camila Souza)

Entre os corredores da Feira, os livros disputavam atenção com pequenos detalhes que despertavam a curiosidade dos visitantes, como a Colcha de Recados, atividade promovida pelo projeto Letras e Linhas do Núcleo de Desenvolvimento Social e Econômico – Nudese/FURG. Alguns passos após a entrada principal os visitantes encontravam canetas e retalhos de tecido onde deixaram seus recados para Feira.

Histórias de vida que motivam os leitores e aquecem as vendas (fonte: Camila Souza)

É claro que não se pode esquecer-se deles, a estrela da festa, os livros. No primeiro final de semana foi registrada a venda de 8.400 exemplares, “marca que representou 16,84% a mais que no ano passado”, segundo o diretor de Extensão, André Lemes da Silva. Entre os mais vendidos estão os ficcionais: As esganadas, de Jô Soares e Feliz por nada, de Martha Medeiros, as biografias também atraíram a atenção dos compradores: O Fascinante Império de Steve Jobs, de Michael Moritz, O Livro do Boni, de Jose Bonifacio Sobrinho e A Vida quer é coragem, de Ricardo Batista Amaral, que conta a trajetória da Presidenta Dilma; enquanto o público infanto-juvenil preferiu Diário de um banana, de Jeff Kinney, e Turma da Mônica Jovem, de Maurício de Sousa.

2 responses to “Na onda da literatura

  1. Parabéns Camila! Ótima reportagem, completa, clara, objetiva.

  2. Parabéns pelo texto Camila! Tenho certeza que só trarás orgulho a nós riograndinos, no cenário jornalístico!

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