Novo ensino médio agora em prática

Professores e alunos tentam se adaptar às mudanças na estrutura do ensino médio

Aline Martins

Em Palmeira das Missões, a 20ª CRE orientou os diretores no planejamento, realização e execução das obras escolares (Foto:divulgação)

A nova estruturação do ensino médio brasileiro vem sendo tema de debates sob diversos aspectos da educação no país. O Segunda Chamada já destacou aqui a implementação da nova proposta nas escolas do município e agora vamos entender um pouco mais sobre essa nova realidade.

Torna-se recorrente a fala de que hoje a tecnologia evolui rapidamente e que se não acompanharmos essa evolução, ficaremos para trás, tanto no mercado de trabalho como nas relações do dia-a-dia. E é nessa perspectiva de evolução que as novas diretrizes do ensino médio foram propostas e aprovadas para serem implantadas nas escolas do país.

Em entrevista à revista Carta Capital, o relator da proposta das novas diretrizes e membro do Conselho Nacional de Educação (Conae) desde 2008, José Fernandes de Lima, fala da importância em criar uma nova identidade para o ensino médio no país “A escola precisa contemplar as quatro dimensões do ensino: o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura. Os mais antigos lembram-se de quando tínhamos o colegial dividido (entre Clássico e Científico), e isso gerou uma confusão de que teríamos um Ensino Médio temático com essas áreas. Não haverá divisão. Pelo contrário, o Ensino Médio tem de contemplar todas elas”, diz.

Mais do que manter os alunos “mais tempo” na escola, o novo projeto visa maior incentivo à pesquisa, o que faz dos alunos não apenas receptores de conhecimento, mas também construtores de indagações sobre o que lhes é repassado.

Para contemplar esse novo modelo de ensino as escolas deverão se organizar para abrigar os alunos em todos os horários regulamentados integralmente, ou seja, às 30 horas semanais, que podem ser remanejadas optando pelo turno inverso, o sexto período, ou o sexto turno aos sábados.

Com isso as escolas públicas estão tendo que se preocupar com outras situações envolvidas, como as questões relacionadas ao transporte, à alimentação e ao espaço físico. Recursos estão sendo liberados para melhorar as infra-estruturas das escolas abrangidas pela 20ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE). São 21 obras , sendo 11 para Escolas de Ensino Médio. Oito escolas estão incluídas no Programa Ensino Médio Inovador, acessando de 20 a 140 mil reais para operacionalizar suas propostas. E ainda, estudantes oriundos de famílias que recebem Bolsa Família receberão R$ 50,00 mensais para subsidiá-los nas suas necessidades.

Segundo a Secretária Regional de educação da 20ª CRE, Idalina da Silva Machado, “Todas as escolas têm feito um esforço permanente e comprometido para contemplar as necessidades dos estudantes… Tem sido respeitada também a garantia legal à dispensa da Educação Física aos Estudantes trabalhadores, o Ensino Religioso Facultativo à Família, e a Pesquisa de Campo como procedimentos possíveis dentro da proposta”.

Todas essas mudanças mexem na rotina de alunos e professores. Os profissionais da educação têm que estar disponíveis para incentivar e ajudar os alunos no que se trata da procura pela pesquisa, já os estudantes têm que aprender a trabalhar numa nova rotina, em que, a escola estará mais presente do que nunca.

Para o professor de história, Silvano Godoy, a nova estrutura do ensino médio é vista como algo positivo: “Muito mais do que entrar em sala de aula e aprender, os alunos terão que buscar conhecimento de outras formas, nesse caso, com a pesquisa, o que abre olhares para a realidade da universidade, por exemplo… A tarefa mais importante agora é ofertar uma estrutura nas escolas para esses alunos, mas isso eu acho que aos poucos se ajeita”.

Empenho, é a palavra usada para descrever essa nova fase para os alunos, como salienta a estudante do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Três Mártires, Paola Scalei “É uma nova rotina pra nós, que já estávamos tendo que nos acostumar ano passado, eu acho que assim temos mais contato com projetos de pesquisa o que é muito interessante para nós que pretendemos cursar uma universidade posteriormente, claro que ficar muito na escola cansa, mas se empenhando a gente dá conta”.

Nesse sentido, os alunos da rede pública terão um maior contato com o ensino profissional ainda no ensino médio, o que abrange o conhecimento e práticas aplicadas posteriormente na universidade e/ou no mercado de trabalho. O que cabe agora as escolas é oferecer estruturas tanto pessoal quanto físicas para que as novas propostas sejam executadas com êxito.

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