Aprendendo a ser “gente” cada vez mais cedo!

Aline Martins

Certo dia encontrei um primo meu que, ao eu lhe perguntar o que estava fazendo, respondeu: eu estava na internet! Só um detalhe ele tem 2 anos e meio de idade. Eu nem com 5 sabia o que era isso.

Quando crianças, somos influenciados por uma série de questões sobre uma série de assuntos, o que nos ajuda a formarmos nossas características pessoais como personalidade, gostos etc. Ir à escola não se concebe de uma vontade propriamente dita, mas sim de uma convenção que nos é dada, já que vivemos em uma sociedade estruturada com suas regras, deveres e direitos.

O que vemos hoje em dia é que as crianças começam a freqüentar cada vez mais cedo o âmbito escolar, mesmo que em berçários, escolinhas, entre outros. Eles não são obrigados a gostarem da escola, pois estamos falando de crianças, as quais não estão preparadas para gostarem de nada ainda, quanto mais acordar cedo, vestir um uniforme e ir para um local cheio de pessoas que inicialmente parecem as mais estranhas possíveis.

E na correria dos tempos modernos, nos deparamos com uma sociedade frenética, agitada que cada vez mais, exige mais, de quem faz parte dela e disso nem as crianças estão livres. Ficar até os 6 anos de idade sendo cuidado pela avó ou pelo avô, nem pensar. Até porque nem eles têm tempo mais. Trabalharam a vida inteira e agora têm que curtir a velhice em cruzeiros pelo mundo. Hoje com 2 anos você já está atrasado para ir para escola, claro! Como pode minha amiga pôr o filho dela na escolinha e eu não? Conheço casos de mães que não trabalham, mas que colocam seus filhos de 3 anos na escola, pois eles têm que conviver com mais crianças de suas idades.

Seus pais cada vez mais buscando independência financeira, tendo que trabalhar para sustentá-los acabam, muitas vezes, esquecendo que se tratam de crianças as quais, na maioria das vezes, ainda não estão preparados pra tudo isso. E eu digo AINDA, porque com o tempo, o qual está cada vez mais curto para nos adaptarmos a tantas variações, elas se adaptarão e adaptarão o tempo.

Contudo, toda essa pressa traz benefícios que àqueles nascidos há um bom tempo atrás não tiveram oportunidade de presenciar na infância, como o avanço tecnológico, as mudanças nas formas de relacionamento, internet no auxílio de tantas coisas cotidianas. Não que brincar de “caçador” no recreio da escola não fosse bom, mas hoje jogar vídeo game e navegar na internet não são mais atividades apenas de adolescentes, mas também dessas crianças precoces que estão aprendendo tudo em tão pouco tempo e num ritmo acelerado demais.

Considerando que isso tudo tem os dois lados da moeda, quanto mais cedo colocarmos nossas crianças na escola, mais cedo elas conquistarão aversão àquele ambiente, porém a capacidade delas de pintar casas e árvores coloridas, logo se transformará em uma competência nata de multiplicar, pesquisar, buscar. Ou seja, estudar, estudar, estudar…

*Essa semana o Segunda Chamada soltou a pena! Cada um dos nossos repórteres ficou livre para compartilhar vivências e opiniões sobre os diferentes momentos de aprendizado. Mas o caro leitor pode estar se perguntando: da onde? Bom, da onde surgem todos os pensamentos e, como bem já disse o mestre Machado (de Assis) de como nasce uma crônica:

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue está começada a crônica (Nascimento de uma crônica, Machado de Assis).

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