O lugar de errar!

Marília Dalenogare

É certo, toda mãe ou pai já falou que você só vai saber o que é ter liberdade mesmo quando morar sozinho. Fato. Contrariando os devaneios adolescentes, eles têm razão. Esse morar sozinho muitas vezes é antecipado pelo ensino superior, pelo fato das universidades não contemplarem todos os lugares, usa-se do ditado “Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até Maomé”. Isso acontece com grande parte dos universitários brasileiros, e aqui por Frederico Westphalen, na UFSM, não é diferente, a universidade é tomada por diferentes pontos de vistas, culturas, opiniões e principalmente regiões.

Ingressar em um curso superior não é uma tarefa fácil para os jovens, pois entre os meses da tensão do vestibular, da formatura, da escolha das universidades, os meses da dúvida, o aluno tem que optar por algo que irá fazer pelo resto da vida, ou pelo menos essa é a idéia de escolher um curso, algo em que você irá se especializar para poder exercer por um longo tempo. Essas dúvidas estão na cabeça de todos, é inevitável, muitos recorrem a testes de áreas de interesses que são ofertados, mas o que eu faço se me interessar pela história dos egípcios e também por raízes quadradas? Aposto que esse tipo de resposta não se acha em qualquer teste online.

A universidade se mostra aos jovens como um ambiente totalmente novo, onde realmente não importa se você era a melhor aluna da sua cidade. A universidade em si é um ambiente pra gente grande, onde o ensino se dá de diversas formas, não somente em sala de aula, ou pelo menos era pra ser assim. Muitas vezes problemas estruturais, institucionais, financeiros, entre outros não permite concretizar totalmente essa idéia de aprendizado superior, e o aluno acaba tendo um aprendizado inferior do que o ideal, inferior para uma universidade, inferior para algo que você irá fazer por toda a sua vida, porém, ainda assim, superior ao ensino anterior, superior em proporcionar ao aluno outras formas de aprendizado, cumprindo seu papel de Academia.

A partir de todas essas experiências ofertadas em uma universidade, tais como: começar uma vida independente, procurar seu conhecimento, se aprofundar nas suas áreas de interesse ou descobrir se é aquilo mesmo que você quer pra sua vida, é que o adolescente vai deixando o ensino médio e fundamental para trás, abandonando a idéia de crescer que ele tinha, e a pergunta “O que você quer ser quando crescer?” começa a fazer um pouco mais de sentido.

O almejado ensino superior de qualidade que todos procuram, também é feito por cada um, pela mentalidade do aluno. Não adianta frequentar uma universidade com a mentalidade do ensino médio, onde você colava, matava aulas e trapaceava nos trabalhos, um universitário muitas vezes até faz isso, mas ele próprio está construindo assim a sua faculdade, e como você usufruiu dela vai acabar vindo à superfície após a festa de formatura, no seu dia-a-dia de trabalho, mostrando que tipo de profissional você é.

Minha mãe sempre diz que depois que a criança entra na escola, começa sua vida escolar, ela não para mais tão cedo, uma série vai seguindo da outra, as fases da criança vão passando, tudo isso concomitante com a escola. Ir a escola é muito mais do que uma parte da vida das pessoas, se torna assim a parte mais importante da vida das crianças. E ela tem razão, contando com uma faculdade e todas as fases, são quase 20 anos dentro de salas de aula, 20 anos tentando espremer todas as suas vontades, seus gostos, suas idéias, em uma das 5 alternativas de um teste vocacional, pra ter certeza de não errar na hora de entrar na universidade.

Sensações como: a liberdade de morar sozinho, ir para a universidade, poder escolher o que você quer fazer, participar do que lhe interessar, ter que pela primeira vez na sua vida se virar sozinho ou perceber que a madrugada é só mais um turno do seu dia, são o aquele tipo de sensações que a gente lembra pra sempre, e que a universidade pode nos proporcionar. Também não podemos esquecer que a vez de errar é agora, que aqui é permitido, mais do que uma nota baixa você não vai tirar, já na chamada “vida real” infelizmente a fila é grande, um pequeno erro seu e pronto, sua chance acabou, o que mais tem é gente esperando e aplaudindo a sua queda.

*Essa semana o Segunda Chamada soltou a pena! Cada um dos nossos repórteres ficou livre para compartilhar vivências e opiniões sobre os diferentes momentos de aprendizado. Mas o caro leitor pode estar se perguntando: da onde? Bom, da onde surgem todos os pensamentos e, como bem já disse o mestre Machado (de Assis), de como nasce uma crônica:

Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala-se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue está começada a crônica (Nascimento de uma crônica, Machado de Assis).

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