UFSM em Frederico Westphalen cedia o II Encontro Regional de Agroecologia

Com o objetivo de construir um espaço de formação e informação sobre agroecologia e suas extensões, o evento vai reunir acadêmicos, profissionais e agricultores

Dieison Marconi

O evento vai contemplar a agroecologia enquanto ciência, movimento social e pratica sustentável
(Foto: divulgação)

Entre os dias 28 de Abril a 1 de Maio  a Universidade Federal de Santa Maria -UFSM/Campus de Frederico Westphalen estará contemplando discussão e oficinas  sobre agroecologia enquanto ciência, pratica e movimento social no II Encontro Regional de Agroecologia (II ERA Sul). O encontro tem a finalidade de criar um espaço de formação entre estudantes, professores e profissionais sob a ótica de que a prática da agricultura ecológica é uma alternativa economicamente e sustentavelmente viável. O evento é uma parceira entre Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF), Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) e com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). As inscrições ainda podem ser feitas via e-mail. Informações quanto taxas de inscrição, atividades, alojamento e programação você encontra no blog do evento.

O II ERA Sul estende a possibilidade de inscrições não apenas aos cursos de Ciências Agrárias, mas também aos demais acadêmicos de outros cursos da UFSM, de Frederico Westphalen e também estudantes de outros estados brasileiros que se interessam pelo tema, o evento espera receber cerca de 300 pessoas. A realização do mesmo se dá pela tentativa de suprir a falta de estudos e debates sobre agroecologia nas universidades, especialmente na UFSM-FW, como ressalta Marcos Vinicius Lazzaretti, 19, estudante de Engenharia Florestal e um dos organizadores do evento: “a universidade, especialmente os cursos das Ciências Agrárias estão mais focados para pesquisas de tecnologias vinculadas ao projeto de produção implantado na revolução verde, pouco se incentiva a extensão e a pesquisa em formas alternativas de produção. O ERA tem a finalidade de trazer o debate da agroecologia para dentro da universidade e a partir disso tentar mudar o foco da pesquisa e da extensão realizada na mesma.”

Já a Fernanda Haiduk, 23, estudante do curso de Agronomia na UFSM e que também  faz parte da comissão organizadora, ressalta que além de superar o déficit de debate sobre o tema em ambiente acadêmico, o II ERA Sul também vem ao encontro da luta pelo fortalecimento da pratica agroecológica no país e da atenção que o tema está recebendo de pesquisadores e profissionais nos últimos anos, tornado-se um pontapé para novas práticas, baseando-se na realidade do campo e respeitando o tripé do “socialmente justo, economicamente viável e ecologicamente correto”.

A ideia de promover encontros regionais para discutir e debater sobre agroecologia surgiu ainda nos anos 80 a partir das experiências do movimento estudantil dos cursos de Ciências Agrárias unidos a movimentos sociais do campo e que, promoviam na época, encontros nacionais. A criação do ERA, segundo seus organizadores, se deu pela necessidade de que a realidade agrária de cada região é diferente. Na região Sul será o segundo encontro promovido, o primeiro ocorreu no ano de 2010, em Tubarão, Santa Catarina. Assim, o II ERA não irá dar atenção somente a conjuntura da produção agroecológica a nível nacional, mas sim nos três estados do sul do país, dando espaço também ao debate sobre o Código Florestal, já que este está intrinsecamente ligado  a produção agrícola sustentável sem ter que reduzir a quantidade de mata nativa.

Para atrair os calouros 2012 das Ciências Agrárias da UFSM-FW para o evento, a organização do II ERA Sul começou já na Semana da Calourada a falar sobre o tema e também fizeram “passadas” durante as aulas para conversar sobre o encontro, já que há a falta conhecimento por a parte deles e de muitas outros cidadãos no que se refere a agroecologia e sua implicações, e ao cabo disso, o atual governo, como declara Marcos, tem investido razoavelmente no desenvolvimento agrário e isso afeta de forma direta a agroecologia e ainda falta muito incentivo para que esta deixe de ser apenas experiências isoladas e passe a ser um projeto de desenvolvimento regional.

Para adiantar e fomentar a discussão, você pode acessar esta análise dos dados do Censo agropecuário 2006, divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2009 sobre a agricultura ecológica e agronegócio no Brasil e como este último tem sido ecologicamente insustentável, economicamente viável apenas aos grandes capitalistas e também é injusto para com os trabalhadores do campo, ratificando assim que o atual modelo da produção agrícola brasileiro não é alimentar (ao menos com qualidade) a população. Os dados do Censo reafirmam também a capacidade de resistência da agricultura familiar ao adotar um modo de produção camponês diferente daquele do agronegócio, solidificando-se em uma das alternativas às crises econômicas, sociais, alimentares e ecológicas provocadas pela tão presente globalização capitalista.

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