BLITZ ACESSIBILIDADE: UNOPAR por um ensino profissionalizante e inclusivo

A Universidade Norte do Paraná vem procurando se adaptar de acordo com realidade de seus acadêmicos

Dieison Marconi

Dando continuidade a série de matérias sobre acessibilidade e inclusão social nas universidades de Frederico Westphalen, “Blitz acessibilidade”, o Segunda Chamada trás a público os meios que a Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) tem usado para promover a inclusão de pessoas com deficiência. Como integrá-las ao ensino superior brasileiro como qualquer outro estudante que busca especialização profissional?

Antes de se remodelar a estrutura física e arquitetônica para receber pessoas com deficiência é necessário superar as barreiras da desinformação e do preconceito. Quanto a inclusão de pessoas com qualquer espécie de deficiência no ensino superior, seja ele público ou privado, é natural a exigência de uma política especial.  Nisto, o Decreto-lei 5296 de 2 de Dezembro de 2004 (que regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000) entre os seus 71 artigos que prezam pelos direitos dos deficientes físicos e pessoas com mobilidade reduzida, além de prever as reformas físicas para inserção e acesso livre das pessoas com deficiência, ressalta que (Artigo 8) é crime punível com reclusão de 1 a 4 anos e/ou multa: recusar, suspender, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, porque é portador de deficiência. Além de realçar a existência da lei acima, Gerson Bossoni Mendes, advogado, ressalta que em Frederico e região, questões de acessibilidade não são discutidas com muita frequência e que pesquisar e se informar sobre o assunto é um dos primeiros passados para desenvolvê-la.

O direito é de todos: pessoas com deficiência e sem deficiência acessam salas de aula, biblioteca e banheiros pela mesma rampa
(Foto: Dieison Marconi)

A UNOPAR, campus de Frederico Westphalen vem adaptando-se para receber pessoas com deficiência antes mesmo de estas lhe baterem à porta. O centro conta com uma rampa na entrada do prédio que dá acesso ao Hall e a recepção, as salas de aula e aos banheiros térreos. Há também outra rampa de uso coletivo tanto para deficientes como não deficientes que leva ao primeiro piso e dá acesso as salas de aula, biblioteca, banheiros femininos e masculinos, estes últimos também possuem suas devidas adaptações. O centro conta hoje com dois alunos cadeirantes, um deles é Valêncio Marcolin, estudante do sétimo semestre do curso de Administração e que também estuda na Universidade Regional Integrada, campus de Frederico Westphalen. https://segundachamada.wordpress.com/2012/04/20/blitz-acessibilidade-uri-recebe-todos-os-anos-alunos-com-deficiencia/

E se por um lado a UNOPAR está aparentemente adaptada para receber cadeirantes, por outro, também se mostra preparada para atender as condições de deficientes auditivos, visuais e também deficientes mentais. Quanto a deficiência visual, por exemplo, em Frederico Westphalen ainda não há reformulações (aulas, biblioteca, computadores e o próprio método de ensino) adaptado a este público, porém segundo a coordenação no polo, basta um uma pessoa com deficiência visual inscrever-se e ser aprovada no vestibular que o centro em Londrina irá fornecer subsídios para que este aluno possa frequentar o curso. O mesmo acontece com os deficientes auditivos, pessoas mudas e/ou afônicas, que ao solicitarem no momento inscrição do vestibular, terão provas adaptadas, e se aprovados, as aulas que são feitas a distância e ao vivo via satélite vão possuir linguagem em libras (Linguagem Brasileira de Sinais).

Estrutura física reformulada tem inicio com superação de barreiras preconceituosas: banheiros masculinos e femininos adaptados (Foto: Dieison Marconi)

Para o coordenador Técnico da UNOPAR, Milton José Fabris, sendo direito de qualquer cidadão com deficiência ter acesso ao ensino superior, seja nas universidades privadas ou públicas, é dever das mesmas atender as suas necessidades e promover a inclusão: “as medidas para tornar a UNOPAR acessível fisicamente foram tomadas pela sede em Londrina, dessa forma o polo de Frederico Westphalen e todos os outros polos da instituição acataram e promoveram as reformulações.” Segundo o mesmo, as adaptações para receber deficientes que não sejam somente cadeirantes (deficientes visuais e auditivos, por exemplo) podem ser viabilizadas, embora ainda não tenha ocorrido a demanda para tal reestruturação.

Segundo dados do Instituto Anísio de Estudos e Pesquisas Educacionais Teixeira (INEP), o número de jovens universitários com alguma espécie de deficiência aumentou consideravelmente de 2000 a 2010. Apesar de que ainda há muito por fazer, o número de pessoas com deficiência matriculados em cursos de nível superior aumentou de 2.173 em 2000 para 16.328 em 2010. Os dados incluem jovens com todos os tipos de deficiência, como deficiência intelectual, visual, auditiva, entre outras. Cerca de 10 mil desses jovens estudam em redes privadas.

A tendência é que cada vez mais estes jovens deixem de sentir-se a margem do sistema educacional e passem a usufruir do direito de estudar e se profissionalizar. Políticas públicas e movimentos sociais em prol da causa são os principais responsáveis pelo aumento da presença de jovens com deficiência nas universidades. A UNOPAR, assim como várias outras instituições fazem parte desse ciclo de adaptação.

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