Empenho ainda não resulta em valorização

Por mais que estatísticas comprovem que mulheres estudam mais, os homens são os mais valorizados

Aline Martins e Almir Felin

Para realização desta matéria a equipe do Segunda Chamada uniu forças ao blog Man Stuff, combinando as editorias educação e homem. Eis o resultado:

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 2009, as mulheres, em média, estudam um ano a mais que os homens, porém, não ocupam tantos cargos de chefia como eles. Em 2008, na área urbana do País, a média de escolaridade das mulheres ocupadas foi de 9,2 anos de estudos, enquanto para os homens foi de 8,2 anos.

Além disso, as mulheres dominam os cursos universitários do país. Em 2007, 57,1% dos estudantes no nível superior eram do sexo feminino, contra 42,9% do sexo masculino. O porém é que, enquanto 5,5% dos homens brasileiros ocupam cargos de dirigência no país, 4,2% das mulheres exercem a mesma função. Só que esse cenário pode começar a mudar, pois levando em consideração que o número de mulheres matriculadas em uma instituição de ensino superior ultrapassa o número de homens, consequentemente eles estarão ficando para trás no mercado de trabalho e começando a obter posições inferiores por causa da diferença na educação, embora os dados atuais ainda não apontem isso.

O gráfico abaixo, que é baseado no estudo do Centro Nacional de Estatísticas da Educação, mostra que a diferença de educação entre homens e mulheres está se tornando cada vez maior:

O gráfico também faz uma projeção do que poderá ocorrer nos próximos anos, mostrando que essa diferença poderá se acentuar ainda mais. Esses dados comprovam que há um maior interesse do público feminino em aprofundar os seus estudos e conquistar uma especialização em um curso superior. As mulheres estão buscando a cada vez mais obter um diferencial para assim conquistar um espaço de destaque no mercado de trabalho.

Alguns projetos da UFSM-FW são compostos apenas por mulheres, independente da área
(Foto: Aline Martins)

Já no âmbito da universidade, a relação da participação efetiva de homens e mulheres nas atividades acadêmicas é equilibrada. De acordo com os coordenadores dos cursos ofertados pela UFSM, campus de Frederico Westphalen, ambos os sexos se mostram interessados e participantes em relação a projetos, tanto de pesquisa como de extensão. Para a coordenadora do curso de Engenharia Florestal Magda Lea Bolzan Zanon, há um equilíbrio no que se refere ao interesse pelas atividades: “Nota-se que tanto as mulheres quanto os homens são bastante ativos e participantes e ambos se equiparam no número de presença nas atividades do curso. O que difere mesmo é que nos trabalhos em laboratório há mais presença feminina enquanto nas atividades de campo predomina o público masculino, mas no geral tanto eles quanto elas se assemelham”, afirma a coordenadora.

A aluna do curso de Engenharia Florestal, monitora da disciplina de andrologia Juliana Tramontina, 21, afirma que o seu interesse na academia em participar de projetos de pesquisa e extensão se deve a busca de destaque no mercado de trabalho “Buscar o diferencial, essa é a palavra, a turma toda que entra 60% se forma e desses 60% você tem que se diferenciar do pessoal que está lá fora e também se você está trabalhando lá fora, pra você conseguir um mestrado, uma indicação é muito mais fácil”.

Já o também aluno de Engenharia Florestal Albeneir Oliveira entrou no projeto de mudas com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre a sua área de atuação: “O meu objetivo é me formar um profissional com mais atribuições, desenvolver com o tempo um projeto que também possa me abrir mais oportunidade e que me possibilita um melhor entendimento do que realmente acontece na prática”, afirma.

Em relação à área de atuação dentro do mercado de trabalho, o IBGE mostrou que quase a metade das mulheres (44,6%) está empregada em trabalhos ligados à educação, saúde e serviços sociais. Somente 15,7% dos homens trabalham nesse setor. A maior diferença é na posição de empregador, onde os homens ganham, em média, R$ 3.161, enquanto as mulheres recebem apenas R$ 2.497 – ou seja, R$ 664 a mais para os homens. Isso corresponde a dizer que as mulheres recebem 22% a menos que os homens, segundo o documento de divulgação da pesquisa.

No que se refere ao estudo dentro da universidade, o estudante de engenharia ambiental Henrique Faccenda defende a participação masculina em atividades e projetos acadêmicos, mas ressalta que é preciso ter um diferencial, uma vez que com o número crescente de mulheres se especializando e procurando um estudo de nível superior, a concorrência no mercado de trabalho aumenta ainda mais: “O meu empenho na participação de projetos visa uma melhor formação e, consequentemente, uma melhor colocação no mercado de trabalho, que está a cada ano mais disputado e exige que os profissionais tenham um diferencial”.

Para a aluna do curso de agronomia e bolsista pelo Centro Superior Norte do Rio Grande do Sul Márcia Gabriel, 26, as mulheres se dedicam muito mais aos projetos “no meu grupo de pesquisa até se inscreveram alguns meninos, mas acabaram desistindo”.

O empenho feminino na academia é facilmente notado, o problema é que as estatísticas ainda mostram uma desvaloração da mulher no mercado de trabalho, muitas vezes no mesmo cargo de um homem, apenas por ser mulher.

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