Estudo revela: aprender segunda língua aumenta poder do cérebro

Pesquisa norte americana prova que pessoas que falam mais de um idioma exercitam mais o cérebro, que por vez, tem maior capacidade mental

Josafá Lucas Rohde

Aulas de inglês tem sido cada vez mais procuradas no Brasil, estimativa é de que até a Copa de 2014 o setor cresça 80% (Foto: Josafá Lucas Rohde)

Pela primeira vez estudos comprovam que ser bilíngue aumenta o poder do cérebro. A pesquisa foi feita por cientistas norte americanos da Northwestern University. Eles dizem que o bilinguismo é uma forma de treinamento do cérebro – uma “ginástica” mental que apura a mente.

O estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma que falar duas línguas afeta o cérebro e muda a forma como o sistema nervoso reage ao som. A pesquisa sugere resultados de ordem biológica. Foram analisados 48 estudantes saudáveis através de respostas do cérebro, destes, 23 eram bilíngues. Para obter as respostas, foram usados eletrodos no couro cabeludo, desta forma traçando o padrão das ondas cerebrais.

Em um ambiente silencioso, o grupo de bilíngues e aqueles que falavam apenas uma língua se comportaram da mesma forma. Em um ambiente barulhento, o grupo dos bilíngues foi muito superior em processar os sons. Os falantes de duas línguas mostraram-se mais capazes de sintonizar informações importantes, como a voz do orador, e bloquear outros ruídos que distraem, como as conversas de fundo.

Em Frederico Westphalen, estudantes tem aulas de inglês desde cedo (Foto: Josafá Lucas Rohde)

Para a pesquisadora e co-autora do estudo, Viorica Marian,”as pessoas fazem palavras cruzadas e outras atividades para manter suas mentes afiadas. Mas as vantagens que temos descoberto em falantes de mais de uma língua vêm simples e automaticamente de conhecerem e usarem dois idiomas. Parece que os benefícios do bilinguismo são particularmente poderosos e amplos, e incluem a atenção, seleção e codificação de som”, explicou.

A estudante de literatura da Universidade Federal de Santa Maria, Lara Niederauer Machado, fluente em espanhol e português, acredita nos resultados dos estudos, pois “existem pesquisas científicas que vão ao encontro dessa premissa, de que uma segunda língua ajuda a exercitar o cérebro”. Para ela “além das comprovações científicas de benefícios e das exigências do mercado de trabalho, saber outro idioma pode nos ajudar a compreender coisas que estão postas e, muitas vezes, não sabemos a origem. Ao cursar a disciplina de Latim Básico, na faculdade, por exemplo, aprendi coisas sobre o Português que não imaginava”, explica a estudante.

Para Carol Govari Nunes, ainda cursando inglês, a pesquisa chegou a uma conclusão lógica, pois “é tudo um exercício, assim como tocar um instrumento, por exemplo. o cérebro tá sempre trabalhando”. Ela vê a prática como benefício em outros aspectos também, “acho que é favorável em absolutamente todos os aspectos. Pra mim, principalmente no campo da música, cinema e literatura, porque ouço/leio muita coisa que não é daqui e muitas traduções acabam perdendo o sentido real do que o autor escreveu”.

A professora de uma escola de inglês em Frederico Westphalen, Grasielle Barroso, defende que aprender outra língua vai “aumentar a atividade cerebral do sujeito, dessa forma ele também terá mais habilidades”. Para ela, além dos resultados positivos apontados pela pesquisa, quem fala duas ou mais línguas tem mais chances de crescer profissionalmente. Foi pensando nisso que Carol resolveu cursar inglês, “acho essencial saber inglês, afinal, muitas das referências que estudamos vem de fora, além de o mercado de trabalho exigir uma segunda língua”.

Com os estudos, os cientistas perceberam que as reações do tronco cerebral dos que falam duas línguas foram intensificadas. A coordenadora da pesquisa, professora Nina Kraus, afirma que “a experiência do bilíngue é aprimorada, com resultados sólidos em um sistema auditivo que é altamente eficiente, flexível e focado no seu processamento automático de som, especialmente em condições complexas de escuta”.

Lara durante intercâmbio visita Parc Guell em Barcelona, na Espanha (Foto: Arquivo Pessoal)

E os benefícios para quem fala uma segunda língua não param por aí. Para viajar ou fazer um intercâmbio, muitas vezes saber a língua do país que visita é essencial. Lara, em 2010, fez uma viagem ao Uruguai em que o espanhol lhe foi bastante útil. Em 2011, ela fez um intercâmbio acadêmico em Portugal, “tive a oportunidade de conhecer a Espanha e também de conviver com três espanhóis. Ali, pude exercitar mais o falar e o escutar e, também, conhecer mais sobre a cultura espanhola”. Ainda segundo o estudo norte americano, músicos parecem ganhar um benefício semelhante quando ensaiando. Pesquisas anteriores também sugerem que ser bilíngue pode ajudar a afastar a demência.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s