Mais de 70% das universidades federais em greve

Acompanhando Instituições de todo pais paralisam atividades para reivindicar melhorias, UFSM entra em greve na próxima segunda

Josafá Rohde

Um total de 110 docentes assinou a lista de presença em assembléia. A UFSM conta atualmente, segundo o site da instituição, com 1.738 docentes em atividade (Foto: Fritz R. Nunes/SEDUFSM)

Professores de universidades e institutos federais de todo Brasil fazem greve desde o último dia 17 de maio. Na última quarta-feira, 23, a Universidade Federal de Santa Maria também decidiu pela paralisação. A universidade entra em greve na próxima segunda, 26, e deve ser a 52ª instituição a paralisar suas atividades. A resolução foi tomada em uma assembléia que contou com 110 participantes, na última quarta-feira, 23.

No Brasil todo, o número de universidades paralisadas é de 49, percentual que já passa de 70% do total de universidades. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) estima que cerca de 500 mil alunos estão sem aulas por conta da greve. Entre as reivindicações, os docentes pedem melhorias na estrutura das universidades, reestruturação da carreira e aumento do piso salarial.

Ainda na tarde de hoje, 25, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFDG) e o campus Jataí da Universidade Federal de Goiás (UFG) anunciaram que devem aderir à paralisação nacional de professores na próxima segunda-feira, 28.

Além de professores dos campi de Palmeira das Missões de FW, estiveram presentes na assembléia professores e integrantes do SEDUFSM
(Foto: Alessandra Weiler)

Na UFSM, campi de Frederico Westphalen (FW) e Palmeira das Missões, uma assembléia na última terça-feira, 22, deflagrou greve, independente do que fosse decidido no dia seguinte na sede. Na assembléia, 48 docentes votaram pela adesão ao movimento e dois professores abstiveram voto. Segundo a professora da UFSM, campus FW, Débora Lopez Freire, “o governo federal não cumpriu com o compromisso que assumiu na paralisação do ano passado, especificamente que as expansões do Reuni não tem nenhuma estrutura”.

O Reuni é um programa criado pelo Governo federal para expansão do ensino superior no interior dos estados. O programa resultou na criação de novos campi de universidades e criação de outras. Débora afirma que “as coisas tem que ser planejadas, não se pode criar a demanda para depois resolver a situação, o processo deve ser ao contrário”.

Os professores dos campi de FW e Palmeira das Missões, além das reivindicações a nível nacional, exigem melhorias em muitos problemas estruturais locais. Estão em pauta questões como excessiva carga horária, estrutura administrativa deficitária, falta de infra-estrutura (acessibilidade, comunicação, penosidade, capacitação) e falta de docentes. Há relatos de que no campus de FW professores e demais funcionários chegaram ficar cerca de dois meses sem telefone. Está no comando regional de greve a professora do curso de agronomia, Adriana Zeca, que representa os centros junto à sede da UFSM, em Santa Maria.

Para o estudante de Relações Públicas da UFSM, campus FW, Gean Garcia, a greve é justa. “Nossas estruturas e recursos humanos não são dignos de universidade federal de qualidade”. O mestrando em agronomia, Carlos Busanello, vê o movimento como “necessário para proporcionar aos professores as devidas condições de trabalho e perspectivas de um plano de carreira digno”.

Extensões criadas pelo Reuni não tem estrutura

No campus de Macaé, disciplinas básicas no curso de medicina não teriam sido ministradas por falta de professores (Foto: Divulgação)

O Andes, em seu site, argumenta que um dos principais motivos do início da greve é a falta de condições de ensino em extensões feitas a partir do Reuni. Segundo o sindicato, “no campus de Macaé (UFRJ), criado pelo Reuni, os alunos de Medicina estão em greve desde o dia 2 de abril devido às más condições do curso, que sofre com a falta de professores e de laboratórios e por não disponibilizar uma rede de hospitais onde os alunos possam ter aulas”.

Além deste caso, o sindicado cita outros, a exemplo do campus de Cuité, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) na Paraíba. Segundo o Andes, “os estudantes de Enfermagem também resolveram entrar em greve no início de março em protesto contra a péssima estrutura do curso, também criado no Reuni. Eles reclamam da insuficiência de professores, da falta de docentes para acompanhar os estágios e da indisponibilidade de locais para estagiarem”.

O sindicato também cita problemas em bibliotecas de universidades, com defasagem em livros, estruturas com péssimas condições, além da falta de professores em diversos campi. A página cita o exemplo do campus da UFSM, em Palmeira das Missões. “O curso de enfermagem do campus tinha previsão inicial de que 18 docentes seriam lotados no curso, mas hoje trabalham apenas sete professores para atender 135 alunos”.

“Greve sem razão”

Ministro defendeu a criação de novos cursos sem que estruturas estejas concluídas. Segundo ele, “o Brasil tem urgência de formar profissionais, tem déficit de médicos e engenheiros, por exemplo”
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Na tarde de quarta-feira, 23, o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em entrevista transmitida pelo canal NBR, declarou que a greve não tem razão para acontecer. “Não me lembro de nenhuma greve semelhante, sem razão de ser”, disse. O ministro argumentou com base no acordo firmado entre o MEC e as entidades de professores universitários no final de 2011. No acordo, os professores teriam 4% de aumento nos salários a partir de março de 2012, incorporação de gratificações aos salários e a apresentação, até março passado, de um novo plano de carreira que passaria a valer em 2013.

Também estava acordada ainda a aprovação de um projeto de lei que autoriza o Ministério da Educação a contratar docentes para dar suporte à expansão da rede de ensino. O projeto ainda precisa passar por votação no senado. Mercadante ainda argumentou dizendo que a greve é “precipitada”. O ministro tentou minimizar as problemáticas atuais a época que estudou, em 1970, na USP.

Vale lembrar que Mercadante foi fundador, nos anos de 1980, do Andes, que agora organiza a paralisação. A presidente do Andes, Marina Barbosa, refutou as declarações de Mercadante, segundo ela, “o debate está acontecendo desde agosto de 2010. O dia 31 de março era o prazo definitivo para o governo apresentar a reestruturação da carreira, fechado a partir de um acordo emergencial feito em agosto de 2011. O processo corrido não justifica o atraso que ocorreu, nem a posição irredutível que o governo tem mantido na mesa de negociação. Não apresentaram nenhuma proposta”.

Marina também diz que a promessa de reestruturação da carreira não foi cumprida. “Estamos a praticamente dois anos negociando e não há predisposição do governo em movimentar suas peças no tabuleiro. E as condições de trabalho estão precarizadas, com muita crise ocorrida no processo de expansão das universidades”, afirmou.

Procurada pelo site R7, a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento, afirmou que a greve dos professores é “precipitada” e que as reivindicações da categoria serão discutidas em reunião marcada para o dia 28 de maio.

Estudantes também “entram em greve”

A reitoria da FURG não considerou o movimento como uma invasão, já que cedeu o espaço para o protesto e na manhã seguinte realizou uma reunião onde recebeu as pautas dos estudantes
(Foto: Assessoria de Comunicação Social da FURG)

Além de professores, em algumas universidades, estudantes também estão entrando em greve, demonstrando apoio ao movimento. Na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), alunos, após assembléia que deflagrou a greve dos acadêmicos, ocuparam o prédio da reitoria. Os universitários sentaram no chão do saguão e começaram a fazer uma pauta de reivindicações locais e gerais sobre educação.

No campus da UFSM em FW, o Diretório Central dos Estudantes realizou assembleia na última quinta-feira, 24. Em votação, 78 estudantes apoiaram a paralização, com uma abstenção e cinco votos contra.

Em Lavras, alunos e professores da Universidade Federal de Lavras (Ufla) fizeram uma manifestação de apoio à greve das universidades federais na tarde desta quinta-feira (24). Na manifestação cerca de 500 pessoas foram às ruas.

Confira a lista das instituições federais que aderiram à greve

 1. CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica) de Minas Gerais
2. FURG (Universidade Federal do Rio Grande)
3. IFMG (Instituto Federal de Minas Gerais)
4. IFPI (Instituto Federal do Piauí)
5. Instituto Federal e Tecnológico do Sudeste de Minas Gerais
6. UFAC (Universidade Federal do Acre)
7. UFAL (Universidade Federal de Alagoas)
8. UFAM (Universidade Federal do Amazonas)
9. UFCG (Universidade Federal de Campina Grande)
10. UFERSA (Universidade Federal do Semi-Árido) – Mossoró
11. UFES (Universidade Federal do Espírito Santo)
12. UFF (Universidade Federal Fluminense)
13. UFG (Universidade Federal de Goiás) – Campus Catalão
14. UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora)
15. UFLA (Universidade Federal de Lavras)
16. UFMA (Universidade Federal do Maranhão)
17. UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso)
18. UFMT-RO (Universidade Federal do Mato Grosso / Rondonópolis)
19. UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto)
20. UFOPA (Universidade Federal do Oeste do Pará)
21. UFPA (Universidade Federal do Pará /Central)
22. UFPA (Universidade Federal do Pará /Marabá)
23. UFPB (Universidade Federal da Paraíba / Cajazeiras)
24. UFPB (Universidade Federal da Paraíba)
25. UFPB-PATOS (Universidade Federal da Paraíba / Patos)
26. UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
27. UFPI (Universidade Federal do Piauí)
28. UFPR (Universidade Federal do Paraná)
29. UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia)
30. UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
31. UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia)
32. UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
33. UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco)
34. UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro)
35. UFS (Universidade Federal de Sergipe)
36. UFSJ (Universidade Federal de São João Del Rey)
37. UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro)
38. UFU (Universidade Federal de Uberlândia)
39. UFV (Universidade Federal de Viçosa)
40. UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri)
41. UnB (Universidade de Brasília)
42. Unifal (Universidade Federal de Alfenas)
43. Unifap (Universidade Federal do Amapá)
44. Unifesp (Universidade Federal de São Paulo)
45. Unipampa (Universidade Federal do Pampa)
46. Unir (Universidade Federal de Rondônia)
47. Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro)
48. Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco)
49. UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

One response to “Mais de 70% das universidades federais em greve

  1. Olá! A UFSM entra em greve nesta segunda-feira, dia 28 de maio.

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