O servidor público pode fazer greve!

Direito reconhecido através de lutas e conquistas da classe trabalhista ao longo de diversos anos levou professores e servidores federais as ruas

Aline Martins

Depois de 108 dias de greve na Universidade Federal de Santa Maria, nada mais justo do que o Segunda Chamada fazer um apanhado sobre a situação que levou professores e servidores a paralisarem suas atividades e relatar aqui os objetivos buscados. Alcançados ou não.

A greve desse ano que tinha como pautas principais reestruturação da carreira docente, melhores salários, condições adequadas de trabalho e qualidade no ensino (infraestrutura, professores, técnicos), não resultou em grandes conquistas, nenhuma pauta foi atendida satisfatoriamente, aliás, o governo se quer debateu a questão da melhoria na qualidade de ensino. Na questão da carreira docente, o resultado é um projeto de lei que, se aprovado, trará prejuízos ainda maiores no plano de carreira dos docentes.

Em Palmeira das Missões docentes e alunos bloquearam RS 158 no trevo de acesso da cidade como forma de protesto (Foto: Divulgação SEDUFSM)

Para o professor Luciano Denardi que pela primeira vez como docente participou do movimento, enquanto membro do Comando Local de Greve, de Frederico Westphalen, “A greve é, na verdade, o último mecanismo para reivindicar algo. Várias conquistas na carreira docente e na qualidade das universidades federais, que são sentidas até o momento atual, devem-se a inúmeras greves que ocorreram no passado. Por exemplo, o Cesnors e outras unidades de ensino superior criadas nos últimos anos, no Brasil, são oriundas de reivindicações em movimentos grevistas pretéritos”.

Histórico

Segundo o site da Seção Sindical dos docentes da UFSM (Sedufsm) no dia 17 de maio deu-se início a greve com 33 Instituições Federais (IFE) aderindo ao movimento que cresceu consideravelmente nos dias posteriores, em pouco tempo já eram 47 das 49 IFE em greve. Devido a isso o governo se viu obrigado a reconhecer a greve e propor uma mesa de negociações. Só depois de 57 dias de paralisação é que o Ministério do Planejamento fez a primeira proposta rejeitada pelas categorias grevistas. Em uma atitude antissindical o governo decide encerrar as negociações de forma unilateral, assinando um simulacro de acordo com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), mesmo sabendo que esse ente não representava a categoria. A greve continuou. Com mais manifestações e movimentos nas universidades, que continuavam em greve, e em Brasília onde sindicantes faziam suas manifestações e exigiam uma resposta do governo. Manifestações essas que foram até o dia 31 de agosto, prazo para que as previsões orçamentárias fossem incluídas no orçamento. Diante disso a categoria decidiu encerrar a greve de forma unificada entre 17 a 24 de setembro.

Em assembléia docentes votam a favor da saída unificada da greve (Foto: Divulgação SEDUFSM)

Para o ANDES-SN o governo não foi feliz em seu desígnio, pois a greve demonstrou a capacidade de reação da categoria. “Elementos importantíssimoos ficam de saldo, o envolvimento amplo de docentes recém contratados e o retorno daqueles que outrora atuaram mais intimamente no âmbito sindical, incluindo muitos aposentados. Ampliação das filiações em várias instituições com consequente enraizamento do sindicato na categoria. Consideráveis avanços na inserção do ANDES-SN na base, em contrapartida ao processo de fragilização da Proifes”

Alunos e a greve

O apoio dos estudantes a greve dos docentes foi visível nos quatro meses de duração do movimento paredistas, atitude decidida em assembléia, acontecida antes da deflagração total da greve pelos docentes. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSM campus FW esteve ativo durante a paralisação dos professores como relata a apoiadora e colaboradora da atual gestão Mariele Fioreze “O DCE se somou ao Comando Unificado de Greve em FW, participando ativamente das discussões e contribuindo nos atos e mobilizações realizadas. Neste tempo, tentamos ao máximo compreender toda a conjuntura por detrás da greve dos docente e dos técnico-administrativos, as causas que levaram estas categorias a deflagrarem estado de greve, suas reivindicações, além de abrirmos o debate sobre a Educação Pública através do fórum ‘A educação que temos e a que queremos’ realizado em julho”.

Mesmo com apoio demonstrado ao movimento o objetivo do DCE sempre foi o de reivindicar pautas para os alunos e não para os docentes “Através da nossa inserção nessa negociação conseguimos garantir o debate das pautas específicas do CESNORS em SM, como nossos problemas estruturais, de acervo bibliográfico, benefício sócio-econômico, construção de nova Casa do Estudante (CEU), entre inúmeras outras. Conseguimos deixar vários encaminhamentos, que poderão entrar no orçamento de 2013” afirma Mariele.

 Servidores e a greve

A greve dos servidores da Universidade Federal de Santa Maria começou no dia 11 de junho logo após os docentes declararem greve, não tendo a adesão de todo o funcionalismo mas computando um número considerável os servidores buscavam reajuste salarial. A greve encerrou-se no dia 21 de agosto quando em assembléia os servidores decidiram aceitar a proposta oferecida pelo governo de reajuste de 15,8% em três parcelas (de 2013 a 2015) e retomou as atividades no dia 27.

 

Faça o download da cartilha sobre “Greve no serviço público”  elaborada pelo Coletivo Nacional de Advogados de Servidores Públicos para mais informações.

One response to “O servidor público pode fazer greve!

  1. Servidores tem todo o direito de fazer greve. Porém os mesmo não tem o direito de abusar desse direito.

    Este abuso que os professores cometeram veio somente a prejudicar o ensino, que eles diziam estar querendo dar mais qualidade. Nesta greve mostraram o quanto eles (não) se preocupam com seus alunos, já que aprovaram o absurdo de recuperar 100 dias de paralisação em apenas 2 semanas. Não tentem dizer que foi o Conselho quem aprovou isto, pois se os professores realmente quisessem eles teriam mudado esta decisão.

    Apoiei esta greve dos professores e nunca mais irei apoiar qualquer greve deles, independente das reivindicações, já que, nesta greve eles mostraram o que era mais importante para eles, que não era um ensino superior de qualidade.

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