Poucos dias para muito calendário

As aulas voltaram, o semestre precisa ser concluído, o tempo é curto. As piadas dos estudantes nas redes sociais com o lema do presidente JK “50 anos em 5”, dada as devidas proporções, não parece tão brincadeira assim

Marília Dalenogare

A estudante Kauana salienta ” Achei inteligente quando resolveram acabar a grave, pois se tivesse prolongado mais, os alunos sairiam mais prejudicados do que já estão sendo” (Foto: Marília Dalenogare)

E aqueles rumores de greve do mês de maio se concretizaram. Aquela greve que os estudantes falavam “semana que vem já volta” durou mais de 100 dias e o resultado dela está aí, não somente nas reivindicações alcançadas ou não, mas nos conteúdos deixados para trás, no novo calendário acadêmico, nas 6 semanas letivas transformadas em 2, 3, e para o maioria dos estudantes, apesar de apoiar o movimento,  o resultado da greve é desfavorável.

A maior reclamação dos discentes é em relação ao apertado calendário, onde conteúdos são deixados para trás e avaliações são marcadas de uma hora para a outra, os professores estão tendo que escolher o que passar em sala de aula para os alunos, já que não há tempo para lecionar todo o conteúdo das disciplinas. Apesar da Universidade manter-se aberta durante o movimento, com a presença de professores e alunos, as atividades de ensino foram suspensas, para aqueles que tinham a intenção de adiantar os trabalhos atrasados não foi possível, pois os laboratórios e os equipamentos ficaram inacessíveis e agora com o retorno das aulas, aqueles trabalhos atrasados de antes juntam-se com os atrasados de agora e acabam sobrecarregando os alunos.

Em assembléia estudantil no início da greve, os estudantes optaram por apoiar o movimento, a respeito disso, o estudante do curso de Engenharia Florestal, Henrique Dalla Costa, integrante do Diretório Central Estudantil (DCE), fala que “os estudantes também deflagraram greve estudantil, para garantir o direito de repor as aulas e também para colocar nossas demandas nas pautas do comando nacional de greve, sendo que várias delas estão sendo atendidas, apesar da gente sair prejudicado com relação à reposição das aulas, foi a decisão mais coerente.”

É no apoio a greve por parte dos estudantes que reside o maior argumento dos discentes, já que os alunos apoiaram os professores na greve, que não aconteceu somente por melhorias de salário e de plano de carreira, mas também e principalmente por melhorias na qualidade de ensino, o que vai contra a esse calendário apertado e aos conteúdos que estão sendo deixados para trás.

A aluna de Engenharia Florestal Kauana Engel acredita que os pontos negativos da greve se sobressaíram, ela que ficou em casa durante todo o movimento esperando a volta às aulas salienta que “a greve está prejudicando o desempenho dos alunos, com relação a notas, e também a falta de conhecido necessários para se ter um bom desempenho em uma próxima disciplina, ou ate mesmo como um profissional em determinada área, estou tendo dificuldade de associar muito conteúdo em tão pouco tempo, e também tenho consciência de que alguns conteúdos importantes para eu ser um bom profissional foram deixados para trás.”

Discentes tentam conciliar todas as avaliações do semestre em uma única semana (Foto: Marília Dalenogare)

Além das deficiências no aprendizado, com o novo calendário, outros fatores como o atraso da formatura, já agendada e paga pela maioria dos estudantes, e o atraso ao sair para o estágio final do curso, também são lembrados pelos acadêmicos. Alguns estudantes saíram igual para o estágio, que já tinha data marcada, só que agora que as aulas voltaram o maior problema é conciliar o final do semestre com o compromisso, que na maioria das vezes é em outras cidades, algumas vezes até outros estados. Já outros estudantes nem saíram para estágio por medo das aulas voltarem e acabaram perdendo a oportunidade. Os estudantes contam com a compreensão dos professores para recuperar as aulas. Nesse sentido, o estudante de agronomia Geomar Corassa fala que seus maiores prejuízos vão ser “em relação ao estágio e pela redução nas horas aula de algumas disciplinas, e de maneira mais pontual, no grande atraso em relação a formatura, o que prejudica oportunidades em relação ao mercado de trabalho, editais de mestrado e afins.”

Os projetos também mantiveram os estudantes ocupados durante os 100 dias, com a paralisação das aulas, muitos professores e alunos aproveitaram para dedicar mais tempo às suas pesquisas, mesmo com as aulas suspensas, diariamente um ônibus da empresa São Jorge enchia rumo à Universidade. A aluna de Relações Públicas Candida Cavalheiro Schwaab foi uma das estudantes que passaram o período da greve envolvida com pesquisa, ela fala que além de ter que retomar todos os conteúdos rapidamente para as avaliações finais, “ainda tivemos a notícia de que, segundo o calendário da Universidade, não haverá férias para os discentes entre um semestre e outro e passaremos o verão todo em aula. Para quem, assim como eu, não aproveitou a greve para descansar, os próximos dois semestres serão de permeados por muito cansaço”.

Nos corredores da UFSM/ Cesnors o que mais se vê são alunos apressados, a frase da vez é “recuperar o tempo perdido”. No dia 15 de outubro já começa o segundo semestre de 2012, não há tempo a perder. O estudante Geomar Corassa resume o que a maioria dos estudantes pensam sobre a greve quando diz “A greve é um direito legitimo, previsto até mesmo em lei e por isso é uma mobilização totalmente válida. Acredito que a situação na qual os professores se encontram atualmente (em relação a salário e plano de carreira) é realmente preocupante e desta forma a greve teve o seus “porquês”. Contudo, o principal entrave, deste movimento é: quem ele realmente atingiu? Ou seja, muitas vezes o principal ‘vilão’ que precisa sentir os reflexos da greve (no caso o governo) não é o principal afetado, enquanto que outros meros coadjuvantes – como é o caso do alunos – sentem na pele a sua repercussão, com perdas de aula, mudanças no calendário acadêmico, atraso nas formaturas e nos períodos de estágio. Caindo assim, por terra a velha história de que: ‘os alunos jamais serão prejudicados’”.

One response to “Poucos dias para muito calendário

  1. Os professores ou o governo não irão garantir ensino de qualidade se nós alunos não cobrarmos. O problema é que nossos representantes (DCE) não está lá cobrando ensino, está para puxar saco e se beneficiar de alguns “privilégios”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s